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Media for Equity: quando a empresa troca mídia por participação societária

03/02/2026

Em muitas empresas, a conversa sobre marketing tem ficado mais dura, porque o orçamento de mídia deixou de ser visto como “custo de divulgação” e passou a ser cobrado como investimento, com cobrança real de resultado e impacto direto no caixa. Nesse cenário, o Media for Equity aparece como uma alternativa que chama atenção por um motivo bem objetivo, já que permite ampliar exposição e alcance sem desembolso financeiro imediato, substituindo parte do pagamento por uma participação societária.

No Media for Equity, um grupo de mídia entrega inventário publicitário e recebe equity em troca, de modo que a empresa deixa de comprar mídia com dinheiro e passa a remunerar a entrega com participação, por aumento de capital ou por instrumentos que podem virar participação no futuro. Embora a ideia pareça simples, o risco de uma operação mal desenhada costuma estar na diferença entre o que é fácil medir e o que é fácil perder de vista, porque o inventário publicitário tem valor que depende de janela, posicionamento, frequência e restrições, enquanto a participação societária permanece no cap table e acompanha a empresa por anos.

A negociação costuma começar pelo “tamanho” da entrega, mas a qualidade é o que define se a troca foi equilibrada. Não basta prever volume genérico de inserções, sendo importante amarrar onde, quando e em quais condições a mídia será exibida, com regras objetivas para remanejamento, reposição em caso de falha e comprovação do que foi efetivamente veiculado. Quando esse nível de precisão não aparece no contrato, o que fica é uma promessa ampla de exposição, e o que surge na execução é uma discussão sobre entrega, justamente no momento em que já não dá para recuperar a janela mais valiosa de veiculação.

A forma de entregar a participação também muda a natureza do compromisso, e isso precisa estar alinhado ao estágio da empresa e ao seu plano de captação. Se a participação é cedida de imediato, o impacto ocorre agora e o valor atribuído à mídia precisa ser defensável desde o início. Se a participação for entregue por um instrumento conversível, o contrato precisa prever com clareza quando e como haverá conversão, quais parâmetros serão usados e o que acontece em situações comuns de mercado, como rodada que demora, captação menor do que a esperada, reorganização societária antes do gatilho, ou venda do negócio antes da conversão.

Como a mídia é o “aporte”, a execução precisa ser tratada com disciplina semelhante à de um contrato de fornecimento, com plano mínimo de veiculação anexado, prazos de aprovação, responsabilidades de criação, evidências de entrega e um rito rápido para resolver divergências. Além disso, a empresa precisa proteger a marca, definindo regras de co-branding, limites de associação editorial e controle sobre uso de sinais distintivos, porque exposição ampla sem governança pode gerar ruído reputacional e comprometer posicionamento.

A operação também exige atenção ao pacote de direitos de quem entra como sócio. Acesso a informações e transparência podem fazer sentido, mas cláusulas que ampliem vetos e interfiram no dia a dia tendem a criar atrito de governança e dificultar rodadas futuras, sobretudo quando a empresa for avaliada por investidores que exigem estrutura societária organizada e capacidade de decisão rápida. O equilíbrio aqui não é detalhe, porque o que parece “segurança” para o parceiro pode virar travamento para a empresa, com custo real em tempo e flexibilidade.

Nos arranjos que envolvem campanhas de performance, dados e integrações, a parte de informações não pode ficar genérica. Leads, segmentações, pixels e integrações com CRM precisam de delimitação clara de responsabilidades, finalidades e regras de segurança, com atenção à LGPD, incluindo o que pode ser compartilhado, por quanto tempo e em quais condições, evitando que a parceria de mídia vire problema de governança de dados.

Um Media for Equity bem estruturado é aquele que a empresa consegue explicar sem esforço para conselho, auditoria e futuros investidores, porque a equivalência econômica está documentada, a entrega é verificável e a participação foi desenhada para conviver com captação e crescimento. Quando esse cuidado existe desde o início, o modelo pode ser uma forma eficiente de acelerar a presença e preservar o caixa. Quando não existe, a empresa troca uma despesa recorrente por um compromisso societário permanente e difícil de desfazer, justamente o tipo de custo que costuma aparecer quando o negócio está prestes a dar o próximo passo.

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